{"id":1566,"date":"2022-03-09T14:22:54","date_gmt":"2022-03-09T17:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/?p=1566"},"modified":"2022-03-09T14:22:54","modified_gmt":"2022-03-09T17:22:54","slug":"as-leis-das-guerras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/2022\/03\/09\/as-leis-das-guerras\/","title":{"rendered":"As leis das guerras"},"content":{"rendered":"<p>As cl\u00e1ssicas li\u00e7\u00f5es de Darcy Azambuja, na obra, Teoria Geral do Estado ( editora Globo, 1985), referem que s\u00e3o elementos constitutivos de um Estado moderno: o territ\u00f3rio, o povo e governo. As atuais quest\u00f5es pol\u00edticas, religiosas ou geopol\u00edticas, por exemplo, levam ao questionamento sobre a necessidade desses tr\u00eas elementos na constitui\u00e7\u00e3o de um Estado moderno. Refiro-me especialmente \u00e0 quest\u00e3o do Estado da Palestina. Esse \u00faltimo sem territ\u00f3rio definido e est\u00e1vel, \u00e9 reconhecido pelas demais na\u00e7\u00f5es como Estado independente.<br \/>\nA invas\u00e3o russa ao territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, pa\u00eds soberano, afronta diretamente o espa\u00e7o geogr\u00e1fico e a popula\u00e7\u00e3o. Isso aniquila qualquer na\u00e7\u00e3o soberana, ainda mais quando civis, zonas residenciais, hospitais e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico tem sido alvo dessa guerra sangrenta.<br \/>\nEsse horror desrespeita as leis de guerras. Poderia parecer curioso, ou at\u00e9 mesmo contradit\u00f3rio, que haja regras para a pr\u00e1tica de guerras. Em realidade, quer seja pelo aspecto humano (mas h\u00e1 humanidade nas guerras?) ou pelo aspecto moral, o fato \u00e9 que ao longo dos s\u00e9culos, regras buscaram limitar a crueldade nos conflitos armados. Essas regras aos poucos foram criadas, modificando-se na propor\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da sociedade (mas em uma sociedade evolu\u00edda haveria conflitos armados?). Com isso, surgiu o Direito Internacional Humanit\u00e1rio, vertente do Direito Internacional P\u00fablico.<br \/>\nEm 1945 a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas- ONU, elaborou a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e as regras ali estabelecidas submetem os pa\u00edses integrantes. Destaca-se do texto o par\u00e1grafo quarto do artigo 2\u00ba que estabelece que todos os<br \/>\nmembros dever\u00e3o evitar, em suas rela\u00e7\u00f5es internacionais, a amea\u00e7a ou o uso da for\u00e7a contra a integridade territorial ou a independ\u00eancia pol\u00edtica de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompat\u00edvel com os prop\u00f3sitos das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<br \/>\nComo a maioria dos regramentos, as exce\u00e7\u00f5es est\u00e3o previstas no texto de modo expresso. O uso de for\u00e7a armada ser\u00e1 permitido se autorizado pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU ou em caso de leg\u00edtima defesa.  Por \u00f3bvio, a invas\u00e3o da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia n\u00e3o se enquadradas nas exce\u00e7\u00f5es e, tampouco, se justifica.<br \/>\nNos casos de guerra j\u00e1 deflagrada, ainda assim, as na\u00e7\u00f5es deveriam obedecer, entre outros, os princ\u00edpios da humanidade, o da necessidade e o da proporcionalidade. Ou seja, deveria ser evitado o atingimento de vidas ou, na impossibilidade, ataques cru\u00e9is. Al\u00e9m disso, a necessidade representa que os ataques t\u00e1ticos e estrat\u00e9gicos visem somente alvo que possa enfraquecer a parte adversa. Qualquer outra hip\u00f3tese \u00e9 considerada excesso pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a proporcionalidade se traduz pelo uso adequado da for\u00e7a (se \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel!) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte contr\u00e1ria, combatentes e popula\u00e7\u00e3o em geral.<br \/>\nAs Conven\u00e7\u00f5es de Genebra, a primeira delas de 1864 e a \u00faltima de 1949, s\u00e3o tratados internacionais de prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o civil, das v\u00edtimas, dos feridos e dos enfermos nos locais de conflito armado.<br \/>\nO Estatuto de Roma, de 1998, criou o Tribunal Penal Internacional, reconhecendo que os crimes de guerra, entre outros, s\u00e3o de tal gravidade que constituem uma amea\u00e7a \u00e0 paz, \u00e0 seguran\u00e7a e ao bem-estar da humanidade. Entre outras justificativas, entende-se que o Tribunal Penal Internacional, institui\u00e7\u00e3o permanente e independente, \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica para julgar e punir os crimes de guerra , j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 como os evitar (infelizmente).<br \/>\nLamentavelmente nem R\u00fassia, nem Ucr\u00e2nia s\u00e3o signat\u00e1rios e nem ratificaram o Estatuto, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o poderiam ser processados e julgados, em princ\u00edpio, por Tribunal Internacional.<br \/>\n Como toda essa normatiza\u00e7\u00e3o, comumente vimos que os estados, mesmo os signat\u00e1rios, n\u00e3o se at\u00e9m totalmente \u00e0s regras pactuadas.<br \/>\nComo dito, \u00e9 tudo muito contradit\u00f3rio e inusitado. E \u00e9 por isso que as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas ao Estado invasor por v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es \u00e9 um meio mais efetivo para frear esse ataque insano. Ou seja, nem o respeito \u00e0 Humanidade, \u00e0 soberania dos povos ou \u00e0s regras internacionais s\u00e3o suficientes para estancar o horror. A economia e o capital sim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cl\u00e1ssicas li\u00e7\u00f5es de Darcy Azambuja, na obra, Teoria Geral do Estado ( editora Globo, 1985), referem que s\u00e3o elementos constitutivos de um Estado moderno: o territ\u00f3rio, o povo e governo. 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