{"id":1596,"date":"2022-04-28T13:07:54","date_gmt":"2022-04-28T16:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/?p=1596"},"modified":"2022-04-28T13:07:54","modified_gmt":"2022-04-28T16:07:54","slug":"consideracoes-sobre-a-extincao-de-punibilidade-o-perdao-presidencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/2022\/04\/28\/consideracoes-sobre-a-extincao-de-punibilidade-o-perdao-presidencial\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre a extin\u00e7\u00e3o de punibilidade: o perd\u00e3o presidencial"},"content":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es sobre a extin\u00e7\u00e3o de punibilidade: o perd\u00e3o presidencial<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil \u00e9 surpreendido por atos e decis\u00f5es administrativas juridicamente duvidosas e contest\u00e1veis. A edi\u00e7\u00e3o de atos administrativos que n\u00e3o possuem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o interesse p\u00fablico, com flagrante desvio de finalidade, s\u00e3o frequentes, superando o inusitado.<br \/>\nJ\u00e1 escrevemos aqui sobre as diferen\u00e7as entre o Estado de Direito e o governo, essenciais \u00e0 Teoria Geral do Estado e \u00e0 Ci\u00eancia Pol\u00edtica. Tamb\u00e9m j\u00e1 foi objeto de an\u00e1lise as caracter\u00edsticas do interesse p\u00fablico, nas balizas do Direito Administrativo. Em ambos os artigos o objetivo j\u00e1 era o de discutir os atos do governo federal, de um modo t\u00e9cnico-jur\u00eddico, demonstrando que a indigna\u00e7\u00e3o pode ser examinada nos estritos princ\u00edpios da ci\u00eancia do Direito.<br \/>\nDestaca-se a gra\u00e7a presidencial concedida a deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal \u2013 STF, em decis\u00e3o ainda n\u00e3o definitiva, pois n\u00e3o houve o tr\u00e2nsito em julgado. Sequer \u00e9 necess\u00e1rio adentrar no m\u00e9rito da decis\u00e3o do STF ou os feitos ilegais do deputado. As inconstitucionalidades e ilegalidades dos atos administrativos s\u00e3o tantas que nos limitaremos a elas.<br \/>\nPreliminarmente, deve ser diferenciada a gra\u00e7a, o indulto e a anistia como modos excepcionais de extin\u00e7\u00e3o da punibilidade. O indulto est\u00e1 no artigo 84, XII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. A anistia est\u00e1 no artigo 48, VIII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e a gra\u00e7a est\u00e1 prevista no artigo 734 do C\u00f3digo de Processo Civil. Todos s\u00e3o formas de extin\u00e7\u00e3o da puni\u00e7\u00e3o, um modo de perd\u00e3o dos atos ilegais praticados. O indulto \u00e9 coletivo, geralmente com car\u00e1ter humanit\u00e1rio, a gra\u00e7a \u00e9 individual e a anistia pode ser individual ou coletiva, normalmente ligada a perd\u00e3o de crimes pol\u00edticos. Como atos jur\u00eddicos emitidos pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, est\u00e3o sujeitos aos princ\u00edpios constitucionais previstos no artigo 37, caput da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e \u00e0queles impl\u00edcitos no sistema jur\u00eddico-administrativo.<br \/>\nPela mera leitura do Decreto sem n\u00famero, o que j\u00e1 \u00e9 de se estranhar, de 21 de abril de 2022, chama a aten\u00e7\u00e3o a fundamenta\u00e7\u00e3o e a desconex\u00e3o com a realidade e a interpreta\u00e7\u00e3o dos dispositivos constitucionais e ilegais invocados:<br \/>\nConsiderando que a prerrogativa presidencial para a concess\u00e3o de indulto individual \u00e9 medida fundamental \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito, inspirado em valores compartilhados por uma sociedade fraterna, justa e respons\u00e1vel;<br \/>\nConsiderando que a liberdade de express\u00e3o \u00e9 pilar essencial da sociedade em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es;<br \/>\nConsiderando que a concess\u00e3o de indulto individual \u00e9 medida constitucional discricion\u00e1ria excepcional destinada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do mecanismo tradicional de freios e contrapesos na triparti\u00e7\u00e3o de poderes;<br \/>\nConsiderando que a concess\u00e3o de indulto individual decorre de ju\u00edzo \u00edntegro baseado necessariamente nas hip\u00f3teses legais, pol\u00edticas e moralmente cab\u00edveis;<br \/>\nConsiderando que ao Presidente da Rep\u00fablica foi confiada democraticamente a miss\u00e3o de zelar pelo interesse p\u00fablico; e<br \/>\nConsiderando que a sociedade encontra-se (sic)em leg\u00edtima como\u00e7\u00e3o, em vista da condena\u00e7\u00e3o de parlamentar resguardado pela inviolabilidade de opini\u00e3o deferida pela Constitui\u00e7\u00e3o, que somente fez uso de sua liberdade de express\u00e3o;<\/p>\n<p>As justificativas do Decreto n\u00e3o justificam e cont\u00e9m afirma\u00e7\u00f5es equivocadas e n\u00e3o verdadeiras.<br \/>\nSe h\u00e1 algo que n\u00e3o foi fraterno, nem justo e nem respons\u00e1vel foram as a\u00e7\u00f5es criminosas do deputado, geradoras da den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m uma insistente e equivocada argumenta\u00e7\u00e3o a favor da alegada liberdade de express\u00e3o, que n\u00e3o se confunde com amea\u00e7a \u2013 que \u00e9 tipificado como crime. O direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem absoluto e nem ilimitado, como se pretende defender.<br \/>\nCerto \u00e9 que o indulto individual \u2013 tecnicamente denominado de gra\u00e7a, \u00e9 ato excepcional. Entretanto, como ato administrativo deve ser justificado e estar pautado pela impessoalidade. Esse princ\u00edpio demanda a\u00e7\u00e3o sem favoritismos ou persegui\u00e7\u00f5es. A impessoalidade exige a a\u00e7\u00e3o com finalidade p\u00fablica. Impessoalidade e finalidade p\u00fablica n\u00e3o est\u00e3o presentes no caso concreto.<br \/>\nAinda como justificativa do Decreto est\u00e1 expresso que a gra\u00e7a seria medida destinada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do mecanismo tradicional de freios e contrapesos da triparti\u00e7\u00e3o de poderes. Caso tal assertiva pudesse ser verdadeira ou sustentada, restaria oficializado o regime ditatorial e autorit\u00e1rio, abolindo-se a salutar e necess\u00e1ria autonomia dos poderes, princ\u00edpio constitucional expresso no artigo de abertura da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<br \/>\nO Decreto est\u00e1 fundamentado tamb\u00e9m no ju\u00edzo \u00edntegro baseado nas hip\u00f3teses legais, pol\u00edticas e moralmente cab\u00edveis. Aliado a isso, afirmou-se que a sociedade se encontra em leg\u00edtima como\u00e7\u00e3o em vista da condena\u00e7\u00e3o do parlamentar. Com a devida v\u00eania, desde a publica\u00e7\u00e3o do inusitado Decreto, o que se constata \u00e9 a perplexidade da comunidade jur\u00eddica e da sociedade civil sobre os termos do ato presidencial.<br \/>\nA \u00faltima das justificativas contida no Decreto pode ser entendida como parcialmente verdadeira. Sim \u00e9 verdade que o atual Presidente da Rep\u00fablica foi eleito democraticamente at\u00e9 outubro de 2022 e que sua miss\u00e3o seria a de resguardar o interesse p\u00fablico. Contudo, a vis\u00e3o do governo sobre interesse p\u00fablico destoa da doutrina, da legisla\u00e7\u00e3o e da jurisprud\u00eancia sobre o tema. Isso porque \u00e9 not\u00f3rio que o Decreto foi elaborado para favorecimento pessoal de apaniguado pol\u00edtico da autoridade federal. Tanto que o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, ultimamente t\u00edmido, ofereceu den\u00fancia contra o deputado pelos crimes de incitar a animosidade entre as For\u00e7as Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as institui\u00e7\u00f5es civis (artigo 23, II da Lei Federal n. 7.170\/83), incitar a pr\u00e1tica dos crimes previstos nessa Lei Federal, tentar impedir, com emprego de viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, o livre exerc\u00edcio de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o ou dos Estados e usar de viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, com o fim de favorecer interesse pr\u00f3prio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou \u00e9 chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em ju\u00edzo arbitral crime previsto no artigo 344 do C\u00f3digo Penal.<br \/>\nPercebemos que, a cada dia, o Pa\u00eds d\u00e1 um passo atr\u00e1s, restando fragilizados os pilares constitucionais brasileiros, especialmente os da legalidade, impessoalidade e o da conviv\u00eancia democr\u00e1tica. Fr\u00e1gil o Estado, fr\u00e1gil a sociedade e o ordenamento jur\u00eddico brasileiro.<\/p>\n<p>Andrea Teichmann Vizzotto<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pedro Vizzotto Cirne Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es sobre a extin\u00e7\u00e3o de punibilidade: o perd\u00e3o presidencial N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil \u00e9 surpreendido por atos e decis\u00f5es administrativas juridicamente duvidosas e contest\u00e1veis. A edi\u00e7\u00e3o de atos administrativos que n\u00e3o possuem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o interesse p\u00fablico, com flagrante desvio de finalidade, s\u00e3o frequentes, superando o inusitado. J\u00e1 escrevemos aqui sobre&#8230;<\/p>\n<p><a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/2022\/04\/28\/consideracoes-sobre-a-extincao-de-punibilidade-o-perdao-presidencial\/\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1596","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1596"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1596\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1597,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1596\/revisions\/1597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/andreavizzotto.adv.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}